A exposição antológica de desenho de Sobral Centeno cobre um período com cerca de 60 anos de trabalho, constituindo-se como uma rara oportunidade para conhecer uma tonitruante e ininterrupta produção gráfica que pauta e pontua a obra de um dos artistas mais singulares do panorama artístico português.
Pautada por uma inesgotável energia e em constante processo de experimentação, a sua produção em desenho desenvolve-se em equilíbrio perfeito entre extensas séries — onde a repetição e a reiteração de um tema, de uma forma ou de uma composição prevalecem — e desenhos isolados, únicos, que surgem sem filiação, como que de geração espontânea.
O desenho é frequentemente o segmento menos conhecido do trabalho de vários artistas, apesar de em muitos casos, como acontece com Sobral Centeno, atravessar todo o trabalho.
É o campo privilegiado para o treino da mão e o exercício do espírito, para passar o tempo e distrair a mente, para resolver problemas de forma ou de composição. No trabalho de Centeno balanceia entre a graça e a gravidade, a ironia e a seriedade, a rapidez e a demora. E é, sobretudo, um infindável exercício de rememoração e de (auto(citação).
Por vezes nos bastidores, outras vezes em exposição pública, o desenho constitui-se, com efeito, como a base e o campo operativo e de experimentação no trabalho de Sobral Centeno.
O objectivo primordial desta exposição, que integra a rica programação da Galeria Municipal de Matosinhos, é o de dar a conhecer o extenso, sólido e deveras surpreendente contingente de desenhos que o artista, que há muitos anos tem ateliê no Concelho de Matosinhos, realizou (e continua a realizar) ao longo do percurso que vem construindo desde meados da década de 1960.
